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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Aliviando a bagagem - Max Lucado - 15º Capítulo - Ovelhas Ungidas e Feridas Curadas


15 - Ovelhas Ungidas e Feridas Curadas

O Fardo do Desapontamento

Unges a minha cabeça com óleo...
Salmos 23.5

Des muda todas as coisas. Com des, "obediência" vira "desobediência"."Respeito” é mudado para "desrespeito". "Consideração" é, repentinamente, "desconsideração". O que era uma "habilidade" torna-se uma "desabilidade". "Compromisso" é agora "descompromisso", e "graça" é transformada em" desgraça". Tudo por causa do des.

Dificilmente acharíamos um trio de letras mais potentes. E dificilmente encontraríamos um melhor exemplo de seu poder que a palavra apontamento.

A maioria de nós gosta de apontamentos. Até o organizacionalmente inepto gosta de apontamentos.

Apontamentos criam um senso de previsibilidade num mundo imprevisível. Achamos que sabemos controlar o futuro, tanto quanto o maquinista controla o trem, já que os nossos cronômetros dão-nos a ilusão de que o fazemos.

Um desapontamento recorda-nos que não. Um desapontamento é um apontamento perdido. O que esperávamos aconteceria não aconteceu. Queríamos saúde; arranjamos doença. Queríamos aposentadoria; obtivemos serviço. Divórcio em vez de família. Demissão em lugar de promoção. E agora? O que fazemos com os nossos desapontamentos?

Poderíamos fazer o que fez a senhorita Haversham.

Lembra-se dela em Great Expectation (Grandes Esperanças) de Charles Dickens? Lograda pelo noivo à véspera do casamento, seu apontamento tornou-se um apontamento perdido e um desapontamento. Como ela reagiu? Não muito bem. Fechou todas as cortinas da casa, parou todos os relógios, deixou o bolo de casamento sobre a mesa para ajuntar teias de aranha, e continuou usando o vestido de noiva até que ele se tornou um trapo amarelo em volta de sua figura encolhida. Seu coração ferido consumiu-lhe a vida.

Podemos seguir o mesmo curso.

Ou podemos seguir o exemplo do apóstolo Paulo. Sua meta era ser um missionário na Espanha. No entanto, em vez de mandar Paulo à Espanha, Deus o mandou para a prisão. Num cárcere romano, Paulo poderia ter feito a mesma escolha que a senhorita Haversham, mas não o fez. Em vez disso, decidiu: "Enquanto eu estiver aqui, posso muito bem escrever algumas cartas". Por isso a sua Bíblia tem as epístolas a Filemom, aos Filipenses, Colossenses e Efésios.' Sem dúvida, Paulo teria feito uni grande trabalho na Espanha. Mas teria ele se comparado à obra dessas quatro cartas?

Você já esteve na posição de Paulo. Sei que esteve.

Você já esteve feito um rojão a caminho da Espanha, ou da faculdade, ou do casamento, ou da independência... mas então veio a dispensa, ou a gravidez, ou a doença dos pais. E você acabou numa prisão. Adeus, Espanha. Olá, Roma. Adeus apontamento. Olá, desapontamento. Olá, dor.

Como você lidou com ele? Ou melhor, como você está lidando com ele? Aceita uma ajuda? Tenho exatamente o que você precisa. Seis palavras no quinto verso do Salmo 23:

"Unges a minha cabeça com óleo".

Não vê a conexão? O que um versículo sobre óleo tem a ver com os ferimentos que vêm dos desapontamentos da vida?

Uma pequena lição rural pode ajudar. No antigo Israel, os pastores usavam o óleo para três propósitos: repelir insetos, evitar conflitos, e curar machucados.

Insetos apenas aborrecem as pessoas, mas podem matar as ovelhas. Moscas e mosquitos podem tornar o verão um período de tortura para o rebanho. Pense nas moscas no focinho, por exemplo. Se acontecer de elas depositarem seus ovos na macia membrana do nariz da ovelha, os ovos tornam-se larvas que deixam insana a ovelha. Um pastor explica: "Para livrar-se desta agonia, a ovelha deliberadamente baterá a cabeça contra árvores, rochas, mourões ou moitas... Em casos extremos de infestação intensa, uma ovelha pode até se matar num frenético esforço para obter alivio da irritação".

Quando um enxame de moscas do focinho aparece, as ovelhas entram em pânico. Elas correm. Se escondem. Arremessam a cabeça para baixo e para cima, durante horas. Esquecem-se de comer e tornam-se incapazes de dormir. As ovelhas param de dar leite e os cordeiros param de crescer. Pode haver um estouro do rebanho, e ele pode até mesmo ser destruído pela presença de algumas moscas.

Por esta razão, o pastor unge as ovelhas. Ele cobre suas cabeças com um óleo repelente. A fragrância mantém os insetos em apuros e o rebanho em paz.

Isto é, em paz até a época do acasalamento. Na maior parte do ano, as ovelhas são animais calmos, passivos.

Durante a estação de acasalamento, porém, muda tudo. Os carneiros entram em turbulência. Pavoneiam-se pelo pasto e arqueiam o pescoço, tentando atrair a atenção da nova garota do rebanho. Quando a ovelha o nota, ele atira a cabeça para trás e diz, "Quero você, baby". Neste momento o namorado dela aparece e a manda ir para um lugar seguro. "É melhor ir, docinho. A coisa aqui pode ficar feia". Os dois carneiros abaixam a cabeça e PAM! A antiquada marrada explode.

Para evitar danos, o pastor unge os carneiros. Ele unta suas cabeças e focinhos com uma substância gordurosa e escorregadia. Este lubrificante os faz resvalar em vez de se estatelarem um contra o outro.

Contudo, eles ainda tentam se ferir. E este ferimento é a terceira razão de o pastor ungir as ovelhas.

A maioria dos machucados tratados pelo pastor é o resultado da vida no pasto. Espinhos furam, pedras cortam, ou uma ovelha esfrega a cabeça com demasiada força contra uma árvore. Ovelhas se machucam.

Conseqüentemente, o pastor inspeciona diariamente as ovelhas, à procura de cortes e escoriações. Ele não quer que o corte piore. Não quer que o ferimento de hoje se torne a infecção de amanhã.

Nem Deus quer. Assim como as ovelhas, temos machucados, mas os nossos são ferimentos do coração que vieram de um desapontamento após outro. Se não tomarmos cuidado, estes ferimentos transformam-se em amargura. E então, a exemplo das ovelhas, precisamos ser tratados. "Foi ele, e não nós, que nos fez povo seu e ovelhas do seu pasto" (Sl 100.3).

As ovelhas não são as únicas que precisam de cuidados preventivos, nem as únicas que carecem de um toque curador. Nós também nos irritamos uns com os outros, damos marradas e ficamos feridos. Muitos dos nossos desapontamentos na vida começam com irritações. A grande parcela de nossos problemas não são ataques de leões, mas enxames diários de frustrações, infortúnios e angústias.

Você não é convidado para o jantar. Você não faz parte da equipe. Você não consegue a bolsa de estudos. Seu patrão não reconhece o seu trabalho duro. Seu marido não nota o seu vestido novo. Seu vizinho não percebe a bagunça no próprio quintal. Você se acha mais irritável, mais melancólico, mais... Bem, mais ferido.

Assim como as ovelhas, você não dorme bem, nem come bem. Você pode até bater a cabeça contra uma árvore, algumas vezes.

Ou você pode bater a cabeça contra uma pessoa. É surpreendente o quão cabeçudo podemos ser uns contra os outros. Alguns de nossos ferimentos mais profundos vêm de batermos a cabeça uns contra os outros.

A exemplo das ovelhas, o restante de nossas feridas vem de vivermos no pasto. O pasto das ovelhas, no entanto, é muito mais atraente. As ovelhas têm de enfrentar ferimentos de espinhos e cardos. Nós temos de enfrentar envelhecimento, perdas e doenças. Alguns de nós enfrentam traições e injustiças. Vivamos o suficiente neste mundo, e a maioria de nós enfrentará feridas, profundas feridas, de uma espécie ou de outra.

Então nós, como as ovelhas, ficamos machucados. E nós, como as ovelhas, temos um pastor. Lembra-se das palavras que lemos? "[Ele] nos fez povo seu e ovelhas do seu pasto" (Sl 100.3). Ele fará por você o que o pastor faz pelas ovelhas. Ele cuidará de você.

Se os Evangelhos nos ensinam alguma coisa, ensinam-nos que Jesus é o Bom Pastor. "Eu sou o bom pastor", anunciou Jesus." O bom pastor dá a vida pelas ovelhas" (Jo 10.11).

Jesus não untou com o óleo da prevenção os seus discípulos? Ele orou por eles. Ele os equipou antes de os mandar sair. Revelou-lhes os segredos das parábolas. Interrompeu seus argumentos e acalmou-lhes os temores.

Porque era um bom pastor, Ele os protegeu contra desapontamentos.

Jesus não apenas preveniu machucados, como os curou.

Ele tocou os olhos do cego. Tocou a moléstia do leproso.

Tocou o corpo da garota morta. Jesus zelava de suas ovelhas. Ele tocou o coração inquiridor de Nicodemos. Tocou o coração aberto de Zaqueu. Tocou o coração partido de Maria Madalena. Tocou o coração confuso de Cleopas. E tocou o obstinado coração de Paulo e o arrependido coração de Pedro. Jesus zelava de suas ovelhas, e Ele zelará de você.

Se você lho permitir. Como? Como você lho permite? Os passos são tão simples.

Primeiro, vá a Ele. Davi não confiaria suas feridas a outra pessoa, senão a Deus. Ele disse: "[Tu] unges a minha cabeça com óleo". Não os "seus profetas" ou os "seus professores" ou os "seus conselheiros". Outros podem guiar-nos a Deus, mas apenas Deus pode curar-nos. Deus "sara os quebrantados de coração" (Sl 147.3).

Você tem levado os seus desapontamentos a Deus? Você os tem partilhado com os vizinhos, parentes e amigos. Porém os tem levado a Deus? Tiago aconselha: "Está alguém entre vós aflito? Ore" (Tg 5.13).

Antes de ir a qualquer um com os seus desapontamentos, vá a Deus.

Talvez você não queira importunar Deus com os seus machucados. Afinal, você pensa, Ele trata de penúrias, pestilências e guerras; não se importará com minhas pequenas lutas. Por que você não o deixa decidir isto? Ele preocupou-se o suficiente com um casamento para prover o vinho. Preocupou-se o suficiente com o pagamento de impostos de Pedro para dar-lhe uma moeda. Preocupou-se o suficiente com a mulher junto ao poço para dar-lhe respostas. "Ele tem cuidado de vós" (1 Pe 5.7).

Seu primeiro passo é ir à pessoa certa. Vá para Deus.

Seu segundo passo é assumir a postura correta. Curve-se perante Deus.

A fim de ser ungida, a ovelha deve ficar quieta, abaixar a cabeça, e deixar o pastor fazer o seu trabalho. Pedro insta conosco: "Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que, a seu tempo, vos exalte" (1 Pe 5.6).

Quando nos chegamos a Deus, fazemos pedidos; não fazemos demandas. Chegamos com elevadas esperanças e um coração humilde. Exprimimos o que querermos, mas oramos pelo que é certo. E se Deus nos dá a prisão de Roma em vez da missão na Espanha, aceitamo-la porque sabemos que Deus fará justiça aos seus escolhidos que clamam a Ele de dia e de noite, e não se demorará em atendê-los (Lc 18.7).

Nós vamos até Ele. Curvamo-nos diante dEle. E confiarmos nEle.

As ovelhas não entendem por que o óleo repele as moscas. As ovelhas não entendem como o óleo cura as feridas. De fato, tudo o que as ovelhas sabem é que alguma coisa acontece na presença do pastor. E isto é tudo o que precisamos saber também. "A ti, Senhor, levanto a minha alma. Deus meu, em ti confio" (Sl 25.1,2).

Vá.

Curve-se.

Confie.

Vale uma tentativa, você não acha?


Fonte: Livro "Aliviando a Bagagem" de Max Lucado

Aliviando a bagagem - Max Lucado - 14º Capítulo - O canto do galo e eu


14 - O Canto do Galo e Eu

O Fardo da Vergonha

Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos...
Salmos 23.5
Vê o sujeito nas sombras? É Pedro. Pedro, o apóstolo.

Pedro, o impetuoso. Pedro, o apaixonado. Ele uma vez andou sobre as águas. Pulou do barco para o lago. Ele prontamente pregaria a milhares. Destemido diante dos amigos bem como dos inimigos.

Mas esta noite, aquele que andou sobre as águas apressou-se para o esconderijo. Aquele que irá falar com poder está chorando em aflição.

Não fungando ou choramingando, mas chorando. Berrando.

As faces barbudas enterradas nas mãos calosas. Seus uivos ecoam na noite em Jerusalém. O que dói mais? O fato de que ele o fez?

Ou o fato de que jurou nunca fazer?

"Senhor, estou pronto a ir contigo até à prisão e à morte. Mas Ele lhe disse: Digo-te, Pedro, que não cantará hoje o galo antes que três vezes negues que me conhece" (Lc 22.33,34).

Negar a Cristo na noite da traição era ruim o suficiente, mas, haver se jactanciado de que não o faria?

E uma negação era lamentável, mas três? Três negações era horrível, mas ele tinha que praguejar? "Então começou ele [Pedro] a praguejar e a jurar, dizendo: Não conheço esse homem" (Mt 26.74).

E agora, arrastado num redemoinho de angústia, Pedro está escondido. Pedro está chorando. E logo Pedro estará pescando.

Perguntamo-nos por que ele vai pescar. Sabemos por que ele vai para a Galiléia. Foi-lhe dito que o Cristo ressuscitado encontraria lá os seus discípulos. No entanto, o lugar combinado para a reunião não é o mar, mas uma montanha (Mt 28.16). Se os discípulos iam encontrar Jesus numa montanha, o que estão fazendo em um barco? Ninguém os mandou pescar, mas foi isto o que eles fizeram. "Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Disseram-lhe eles: Também nós vamos contigo" (Jo 21.3). Além de que, Pedro não renunciara à pesca? Dois anos antes, quando Jesus o chamara para  ser pescador de homens, ele não pendurara sua rede e o seguira? Não o vimos pescar desde então. Nunca mais o vimos pescar de novo. Por que está ele pescando agora?

Especialmente agora! Jesus ressuscitou da morte. Pedro viu o túmulo vazio. Quem poderia pescar num momento desses?

Estariam eles com fome? Talvez esta seja a essência.

Pode ser que a expedição tenha nascido de estômagos roncadores.

Ou então, novamente, talvez tenha nascido de um coração partido.

Veja você, Pedro não podia negar sua negação. A tumba vazia não podia apagar o canto do galo. Cristo havia retornado, porém Pedro se indagava - ele deve ter indagado - "Depois do que eu fiz, iria ele retornar para alguém como eu?"

Já perguntamos o mesmo. Será que Pedro é a única pessoa a fazer exatamente o que jurou não fazer?

"A infidelidade ficou para trás!"

"De agora em diante, vou frear minha língua".

"Negócios duvidosos, nunca mais. Aprendi a lição".

Oh, o volume de nossas jactâncias! E, oh, o desgosto de nossa vergonha!

Em vez de resistir ao flerte, voltamos a ele.

Em vez de ignorar a fofoca, partilhamo-la.

Em vez de apegar-nos à verdade, obscurecemo-la.

E o galo canta, e a condenação traspassa, e Pedro tem um companheiro nas sombras. Choramos como Pedro chorou, e fazemos o que Pedro fez. Vamos pescar. Voltamos a nossas velhas vidas. Retornamos a nossas práticas pré Jesus.

Fazemos o que vem naturalmente, em vez do que vem espiritualmente. E indagamos se Jesus tem um lugar para gente como nós.

Jesus responde a pergunta. Ele a responde para você e para mim, e para todos aqueles com tendência a "Pedro fora" em Cristo. Sua resposta veio na praia do mar da Galiléia, em um presente para Pedro.Você sabe o que Jesus fez? Separou as águas? Transformou o barco em ouro e as redes em prata? Não, Jesus fez algo muito mais significativo. Convidou Pedro para o café da manhã. Jesus preparou uma refeição.

Claro, o desjejum foi um momento especial dentre os vários daquela manhã. Houve a grande pesca e o reconhecimento de Jesus. O mergulho de Pedro e o remar dos discípulos. E houve o momento em que eles se aproximaram da praia, e acharam Jesus junto às brasas. O peixe estava quente, e o pão, esperando; e o derrotador  do inferno e soberano do céu convidou seus amigos a sentar-se e a comer.

Ninguém podia estar mais agradecido que Pedro. Aquele a quem Satanás havia peneirado estava comendo pão na mão de Deus. Pedro era bem-vindo à mesa de Cristo. Bem lá, para o Diabo e os seus tentadores verem, Jesus preparou uma mesa na presença dos seus inimigos.

Está bem, talvez Pedro não o tenha dito deste modo.

Mas Davi o disse. "Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos" (Sl 23.5). O que o pastor fez pela ovelha soa muito parecido com o que Jesus fez por Pedro.

Neste ponto do salmo, a mente de Davi parece estar se demorando no campo alto com as ovelhas. Havendo guiado o rebanho para o cimo da montanha, em busca de pastos mais verdes, ele recorda as responsabilidades adicionais do pastor.

Ele deve preparar a pastagem.

Esta é uma nova terra, então o pastor tem de ser cuidadoso. O ideal é que a área do pastoreio seja plana, uma planície ou um planalto. O pastor investiga se há plantas venenosas e correntezas fortes. Verifica se há sinais de lobos, coiotes e ursos.

De especial interesse para o pastor é a víbora pequena e marrom, que vive sob o solo. Estas cobras são conhecidas por disparar para fora de suas covas e picar a ovelha no focinho. A picada geralmente infecciona, e pode até matar. Como defesa contra elas, o pastor despeja um círculo de óleo no topo de cada buraco de cobra. Ele também aplica o óleo no focinho dos animais. O óleo na cova lubrifica a saída, impedindo que a cobra suba para fora. O cheiro do óleo nos focinhos das ovelhas espanta as víboras. O pastor, num sentido bem real, preparou a mesa.

E se o seu Pastor fizer por você o que o pastor fez por seu rebanho? Suponha que Ele tenha tratado do seu inimigo, o Diabo, e preparado para você um lugar de alimentação seguro. E se Jesus fizer por você o que Ele fez por Pedro? Imagine que Ele, na hora da sua falta, o convide a comer.

O que você diria se eu lhe contasse que Ele fez exatamente isto?

Na véspera de sua morte, Jesus preparou uma mesa para os seus discípulos.

E, no primeiro dia da Festa dos Pães Asmos, quando sacrificavam a Páscoa, disseram-lhe os discípulos: Aonde queres que vamos fazer os preparativos para comer a Páscoa?

E enviou dois dos seus discípulos e disse-lhes: Ide à cidade, e um homem que leva um cântaro de água vos encontrará; segui-o.

E, onde quer que entrar, dizei ao senhor da casa: O Mestre diz: Onde está o aposento em que hei de comer a Páscoa com os meus discípulos? E ele vos mostrará um grande cenáculo mobiliado e preparado (Mc 14.12-15).

Note quem fez o "preparo" aqui. Jesus reservou uma grande sala e arranjou o guia para conduzir os discípulos. Jesus assegurou que a sala estivesse mobiliada e a comida preparada. O que os discípulos fizeram? Eles concordaram fielmente, e foram alimentados.

O Pastor preparara a mesa.

Não apenas isto, mas Ele também tratara com as cobras.Você se lembrará que somente um dos discípulos não terminou a refeição naquela noite. "Tendo já o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que o traísse" (Jo 13.2). Judas começou a comer, porém Jesus não o deixou acabar. Sob o comando de Jesus, Judas deixou a sala. "O que fazes, faze-o depressa... E tendo Judas tomado o bocado, saiu logo. E era já noite" (Jo 13.27,30).

Há algo dinâmico nesta dispensa. Jesus preparou a mesa na presença do inimigo. A Judas foi permitido ver a ceia, mas não lhe foi permitido ficar lá.

Você não é bem-vindo aqui. Esta mesa é para meus filhos. Você pode tentá-los. Você pode enganá-los. Porém você nunca sentará com eles. Eis o quanto Ele nos ama.

E se resta alguma dúvida, caso haja quaisquer "Pedros" indagando se há na mesa lugar para eles, Jesus emite um terno lembrete, enquanto passa o cálice: "Bebei dele todos. Porque isto é o meu sangue, o sangue do Novo Testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados" (Mt 26.27,28).

"Bebei dele todos".Aquele que se sente indigno, beba-o.

Aquele que se sente envergonhado, beba-o. Aquele que se sente embaraçado, beba-o.

Posso partilhar uma ocasião em que senti as três coisas?

Lá pelos meus dezoito anos, eu estava cabalmente me encaminhando para um problema de alcoolismo. Meu organismo tornara-se tão resistente ao álcool, que seis cervejas tinham pouco ou nenhum impacto sobre mim. Aos vinte anos, Deus não apenas me salvou do inferno após esta vida, como salvou-me do inferno nesta vida. Deus sabe para onde eu estava indo, e eu tenho uma idéia bastante nítida também.

Por este motivo, parte da minha decisão em seguir a Cristo incluía não mais tomar cerveja. Então a deixei.

Curiosamente, porém, a sede por cerveja nunca se ia. Ela não me perseguia ou me consumia, mas duas ou três vezes por semana, o pensamento de uma boa cerveja me tentava. Prova de que tenho de ser cuidadoso é que - cervejas não-acoólicas não são atraentes. Não é o aroma da bebida; é o zumbido. Contudo, por mais de vinte anos, bebidas nunca mais foram assunto de importância.

Alguns anos atrás, no entanto, quase se tornou um.

Abaixei um pouco a guarda. Uma cerveja com churrasco não fará mal. Depois, outra vez com comida mexicana. E então duas ou três vezes com comida nenhuma. Após um período de dois meses, passei de nenhuma cerveja a uma ou duas por semana. Para muitas pessoas, sem problemas, mas para mim, poderia se tornar um.

Você sabe quando comecei a sentir cheiro de problemas?

Numa quente tarde de sexta-feira, eu estava a caminho de nosso retiro anual para homens, onde eu falaria. Eu disse que o dia estava quente? Brutalmente quente. Eu estava sedento. Soda não adiantaria. Então comecei a maquinar.

Onde eu poderia comprar uma cerveja e não ser visto por ninguém que me conhecesse?

Com este pensamento cruzei a linha. O que é feito em segredo é melhor não ser feito absolutamente. Mas de qualquer modo, eu o fiz. Rumei para uma loja de conveniência fora da estrada, estacionei, e esperei até que todos os clientes tivessem saído. Entrei, comprei minha cerveja, segurei-a do lado, e apressei-me para o carro.

Foi quando o galo cantou.

Ele cantou por eu estar disfarçando. Cantou porque eu sabia muito bem. Cantou porque - e isto realmente doeu - na noite anterior, eu havia ralhado com uma de minhas filhas por manter segredos de mim. E agora, o que eu estava fazendo?

Atirei a cerveja no lixo e pedi a Deus que me perdoasse. Poucos dias depois, partilhei meu conflito com os anciãos e alguns membros da congregação, e senti-me feliz em anotar o assunto para experiência e tocar para frente.

Mas não pude. A vergonha incomodava-me.Vergonha das pessoas por fazer tal coisa. Muitos poderiam ser feridos por minha estupidez. E vergonha da ocasião para se fazer tal coisa. Eu estava indo ministrar em um retiro. Quanta hipocrisia!

Senti-me um imprestável. O perdão achou o seu caminho para a minha cabeça, mas o elevador designado a fazê-lo descer oito polegadas para o meu coração estava quebrado.

E para piorar a situação, o domingo chegou logo. Achei-me na fileira da frente da igreja, aguardando a minha vez de falar. Novamente, eu tinha sido honesto com Deus, honesto com os anciãos, honesto comigo mesmo. Contudo, ainda me debatia. Deus iria querer um sujeito como eu para pregar?

A resposta veio na Santa Ceia. A Ceia do Senhor. O mesmo Jesus que preparara unia refeição para Pedro tinha preparado uma para mim. O mesmo Salvador que acendera uma fogueira na praia atiçara algumas brasas em meu coração.

"Bebei dele todos". E eu o fiz. Senti-me bem por estar de volta à mesa.


Fonte: Livro "Aliviando a Bagagem" de Max Lucado

Coração Valente - Anderson Freire


Circunstanciais dizem que não dá
Falam que você está tão perto de parar
Coração valente é assim que quero hoje te chamar
É normal na guerra se ferir e pra não morrer as vezes pensa em fugir
Cego pelo medo não vê que o gigante é bem menor que a mão de Deus
Não quero contar uma historia que você morreu
Se por um tempo você só adormeceu
Coração por três dias jesus parou de respirar
Pra fazer você ressuscitar tudo bem de carne você é
Mais sua estrutura é a fé
Coração valente você não pode parar
É normal na guerra se ferir e pra não morrer as vezes pensa em fugir
Cego pelo medo não vê que o gigante é bem menor que a mão de Deus
Não quero contar uma historia que você morreu
Se por um tempo você só adormeceu
Coração por três dias jesus parou de respirar
Pra fazer você ressuscitar tudo bem de carne você é
Mais sua estrutura é a fé
Coração valente você não pode parar

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Crônicas

Este texto é do segundo livro do Pr. José Pedro Teixeira, Pastor presidente da Catedral das Assembléias de Deus em Santa Cruz.

Somos Enviados
(Josué 1:9)

O Apóstolo Paulo, incansável pregador da Palavra de Deus sempre esteve enfrentando desafios em lugares desconhecidos, não porque assim escolhesse, mas por determinação divina percorreu por diversas regiões levando às almas a mensagem divina.
Em algumas ocasiões tenho falado sobre a abnegada peregrinação do obreiro (pastor), e que ele não tem o direito de escolher a igreja na qual deseja congregar. Esta opção só é permitida ao membro, ao pastor não; a ele cabe levar a saudade da igreja que pastoreava e dedicar o seu amor e cuidado à nova igreja.
Ademais, cabe ao homem de Deus, estar sempre disponível a prestar o seu apoio na seara do Mestre; para isto ele se alistou. Deve estar sempre pronto a passar a Macedônia, consciente de que do outro lado tem sempre alguém precisando de ajuda.
Quando Abraão foi levado para uma terra desconhecida , ele não questionou sobre a determinação divina, não perguntou o nome da cidade ou país no qual ele iria habitar, nem mesmo quis saber a respeito do clima e costume do lugar, simplesmente "OBEDECEU".
Que belo exemplo de submissão e fidelidade daquele servo de Deus.
Quando somos verdadeiramente enviados por Deus, temos a garantia do sucesso, pois aquele que nos enviou estará sempre presente em nossa jornada, à exemplo da expressão segura e encorajadora proferida no livro de Josué 1:9: "Não to mandei eu? Esforça-te, tem bom ânimo: não pasmes, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo por onde quer que andares."

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Eyshila - Nada pode calar um adorador

Aliviando a bagagem - Max Lucado - 13º Capítulo - Noites silenciosas e Dias Solitários


13 - Noites Silenciosas e Dias Solitários

O Fardo da Solidão

Tu estás comigo...
Salmos 23.4
Um dos meus amigos trabalhava numa farmácia enquanto freqüentava a Universidade do Texas. A ocupação principal de Steve era entregar suprimentos nas casas de saúde, em Austin.

Uma tarefa adicional, entretanto, envolvia unia curta viagem ali perto.

A cada quatro dias, ele punha nos ombros um grande cântaro de água e o carregava por mais ou menos vinte e cinco metros, para um edifício atrás da farmácia. A cliente era uma velha senhora, talvez em seus setenta anos, que morava sozinha num escuro apartamento, desprovido e sujo. Uma única lâmpada pendia do teto. O papel de parede era manchado e descascado. As venezianas viviam cerradas, e o aposento era sombrio. Steve entregava o cântaro, recebia o pagamento, agradecia a mulher, e ia embora.

Depois de algumas semanas, ele ficara intrigado com a compra dela. Sabia que a mulher não tinha outra fonte de água. Ela contava com a sua entrega para quatro dias de lavar, banhar e beber. Singular escolha. A água municipal era mais barata. A cidade teria cobrado dela doze ou quinze dólares por mês; seus gastos na farmácia somavam cinqüenta dólares ao mês. Por que ela não escolhia a fonte menos cara?

A resposta estava no sistema de entrega. Sim, a água da cidade custava menos. Porém a cidade mandava apenas a água; não enviava uma pessoa. Ela preferia pagar mais e ver um ser humano que pagar menos e não ver ninguém.

Pode alguém ser tão só?

Parece que Davi era. Alguns de seus salmos dão a sensação de um carvalho solitário numa invernada.

Olha para mim e tem piedade de mim, porque estou solitário e aflito (Sl 25.16).

Já estou cansado do meu gemido; toda noite faço nadar a minha cama; molho o meu leito com as minhas lágrimas.

Já os meus olhos estão consumidos pela mágoa e têm envelhecido por causa de todos os meus inimigos (S1 6.6,7).

Davi sabia o que era sentir-se solitário... traído.

Mas, quanto a mim, quando estavam enfermos, a minha veste era pano de saco; humilhava a minha alma com o jejum, e a minha oração voltava para o meu seio.

Portava-me com ele como se fora meu irmão ou amigo; andava lamentando e muito encurvado, como quem chora por sua mãe.

Mas eles com a minha adversidade se alegravam e se congregavam; os abjetos se congregavam contra mim, e eu não sabia; rasgavam-me e não cessavam.

Como hipócritas zombadores nas festas, rangiam os dentes conta mim.

SENHOR, até quando verás isto? (Sl 35.13-17).

Davi conhecia o sentimento de solidão.

Conhecera-o em sua família. Ele era um dos oito filhos de Jessé. Quando, porém, o profeta Samuel pediu para ver os meninos de Jessé, ele foi deixado de lado. O profeta contou e perguntou se não havia outro filho em algum lugar. Jessé estalou os dedos como se houvera esquecido as chaves: "Ainda falta o menor, e eis que apascenta as ovelhas" (1 Sm 16.11).

A expressão de Jessé, "o menor", não foi elogiosa. Ele disse literalmente, "Ainda tenho o tampinha". Alguns de vocês foram o tampinha em sua família. O tampinha é aquele que os outros têm de tolerar e tomar conta. E naquele dia, o tampinha foi deixado de fora. Como você se sentiria se uma reunião de família fosse convocada, e o seu nome esquecido?

As coisas não melhoraram quando ele mudou de lar.

Sua inclusão na família real foi idéia do rei Saul. E a sua exclusão também. Não se houvesse abaixado, e Davi teria sido espetado na parede com a lança do ciumento Saul. Porém Davi realmente se abaixou, e realmente correu. Por dez anos ele correu.

No deserto, ele correu. Dormindo em cavernas, sobrevivendo aos animais selvagens. Ele foi odiado e caçado como um chacal.

Davi não era desconhecido da solidão.

Você também não. Entrementes, você aprendeu que não precisa estar sozinho para se sentir solitário. Dois mil anos atrás, duzentos e cinqüenta milhões de pessoas povoavam a terra. Agora são mais de cinco bilhões. Se a solidão pudesse ser curada com a presença de pessoas, certamente haveria menos solidão hoje. Contudo, a solidão deixa-se ficar.

Bem no início de meu ministério, fiz a seguinte oração no domingo de manhã: "Obrigado, Senhor, por todos os nossos amigos. Temos tantos, que não podemos despender tempo com todos eles". Após o culto, um bem-sucedido homem de negócios corrigiu-me: "Você pode ter mais amigos do que pode ver.

Não eu. Eu não tenho nem um". A pessoa pode estar cercada por uma igreja e ainda assim estar só.

Solidão não é ausência de faces. É ausência de intimidade. A solidão não vem de se estar sozinho; vem de se sentir sozinho. Sentir como se você estivesse enfrentando a morte sozinho, enfrentando a doença sozinho, enfrentando o futuro sozinho.

Quer você seja atingido por ela em sua cama, à noite, ou enquanto dirige para o hospital, no silêncio de uma casa vazia ou no barulho de um bar lotado, a solidão é quando você pensa, Sinto-me tão só. Ninguém se importa?

As bagagens de solidão aparecem por toda parte. Elas atravancam o assoalho das salas de reunião de diretoria e dos clubes. Nós as arrastamos para dentro das festas, e geralmente as arrastamos quando nos retiramos. Você as localizará junto à cadeira do trabalhador que faz serão, ao lado da mesa do comilão, e sobre a arquibancada de um espetáculo noturno. Tentaremos qualquer coisa para descarregar nossa solidão. Esta é urna bagagem que desejamos arriar rapidamente.

Mas devemos? Devemos ser tão rápidos em depô-la? E se em vez de virarmos as costas à solidão, nos virarmos para ela? Poderia ser que solidão seja não uma maldição, mas um presente? Um presente de Deus?

Espere um minuto, Max. Não pode ser. A solidão faz pesado o meu coração. A solidão me deixa vazio e deprimido. A solidão é qualquer coisa, menos um presente.

Você pode estar certo, mas funcionou comigo por um momento. Me pergunto se a solidão não é um modo de Deus conseguir nossa atenção.

Eis o que quero dizer: Suponha que você pegue emprestado o carro de um amigo. O rádio não funciona, mas o CD, sim. Você revira toda a coleção dele, procurando por seu estilo de música - vamos dizer, country americana. Mas você não acha nada. Ele não tem nada além do próprio estilo de música - vamos dizer, clássica.

É uma longa viagem. E você pode conversar consigo mesmo apenas por um instante. Então, eventualmente, você apanha um CD. Você preferiria uma guitarra afiada, mas está preso com tenores arrojados. Inicialmente, é tolerável.

Ao menos preenche o ar. Eventualmente, porém, torna-se agradável. Seu coração capta o arranjo dos timbales, sua cabeça se move com os violoncelos, e você se pega prestando atenção a uma pequena ária italiana."Hei, isto não é tão mau."

Agora, deixe-me perguntar-lhe. Você teria feito esta descoberta por iniciativa própria? Não. O que o levou a ela? O que o fez ouvir músicas que nunca ouvira antes?

Simples. Você não tinha outra escolha, nem outra opção.

Você não tinha para onde ir. Finalmente, quando o silêncio estava alto demais, você arriscou numa canção que nunca ouvira.

Oh, como Deus quer que você ouça a música dEle.

Ele tem um ritmo que fará disparar o seu coração, e versos que farão correr as suas lágrimas.Você quer viajar para as estrelas? Ele pode levar você lá. Você quer se deitar em paz? A música dEle pode acalmar a sua alma.

Mas primeiro, Ele tem de jogar fora aquela "coisarada" country americana (Perdoe-me, Nashville. Apenas um exemplo).

E então Ele começa a arremessar os CDs. Um amigo vai embora. Os negócios vão mal. Sua esposa não entende. A igreja é insensível. Uma a uma, Ele remove as opções, até que tudo o que lhe reste seja Deus.

Ele faria isto? Absolutamente. "O Senhor corrige o que ama" (Hb 12.6). Se Ele tiver de silenciar todas as vozes, Ele o fará. Ele quer que você ouça a música dEle. Ele quer que você descubra o que Davi descobriu, e que seja capaz de dizer o que Davi disse.

"Tu estás comigo".

Sim, Senhor, tu estás no céu. Sim, o Senhor governa o universo. Sim, o Senhor se assenta acima das estrelas e faz a sua casa nas extremidades do mar. Mas sim, sim, sim, tu estás comigo.

O Senhor está comigo. O Criador está comigo. Jeová está comigo. Moisés proclamou: "Porque, que gente há tão grande, que tenha deuses tão chegados como o Senhor, nosso Deus?" (Dt 4.7).

Paulo anunciou:" [Ele] não está longe de cada um de nós" (At 17.27).

E Davi descobriu: "Tu estás comigo".

Nalgum lugar da pastagem, do deserto, ou do palácio, Davi descobriu que Deus falou sério quando disse:

"Não te deixarei" (Gn 28.15).

"Não desampararei o meu povo" (Rs 6.13).

"O Senhor não rejeitará o seu povo" (Sl 94.14).

"Deus... não vos deixará nem vos desamparará" (Dt 31.6).

A descoberta de Davi é de fato a mensagem das Escrituras – o Senhor está comigo. E, desde que o Senhor está perto, tudo é diferente. Tudo!

Você pode estar enfrentando a morte, mas não a está enfrentando sozinho; o Senhor está com você. Você pode estar enfrentando o desemprego, mas não o está enfrentando sozinho; o Senhor está com você. Você pode estar enfrentando conflitos matrimoniais, mas não os está enfrentando sozinho; o Senhor está com você. Você pode estar enfrentando dívidas, mas não as está enfrentando sozinho; o Senhor está com você.

Sublinhe estas palavras: você não está sozinho.

A sua família pode voltar-se contra você, mas Deus não.

Seus amigos podem trair você, mas Deus não.

Você pode sentir-se sozinho no deserto, mas não está.

Ele está com você. E porque Ele está com você, tudo é diferente.Você é diferente.

Você vai de solitário a querido.

Quando você sabe que Deus o ama, não fica desesperado pelo amor dos outros.

Você não mais será um comprador faminto no mercado.Você já foi à mercearia com o estômago vazio? Você é um alvo fácil. Você compra tudo o que não precisa. Não importa se é bom para você - você quer apenas encher a barriga.

Quando você é solitário, faz o mesmo na vida: apanha coisas na prateleira, não porque precise delas, mas porque está faminto de amor.

Por que o fazemos? Porque tememos enfrentar a vida sozinhos. Por medo de que nada se encaixe, tomamos drogas. Por medo de nos salientarmos, usamos as roupas.

Por medo de parecer miseráveis, entramos em dívida e compramos a casa. Por medo de passar despercebidos, vestimo-nos para seduzir ou impressionar. Por medo de dormir sozinho, dormimos com alguém. Por medo de não ser amado, buscamos amor em todos os lugares errados.

Não obstante, tudo isto muda quando descobrimos o perfeito amor de Deus. E o perfeito amor lança fora o medo (1 Jo 4.18).

Solidão. Pode ela ser um dos mais finos presentes de Deus? Se uma temporada de isolamento é o modo dEle de ensinar você a ouvir sua canção, não acha que vale a pena?


Fonte: Livro "Aliviando a Bagagem" de Max Lucado

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Isaias 40.28-31

Isaias 40:28-31 Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos fins da terra, nem se cansa, nem se fatiga? Não se pode esquadrinhar o seu entendimento. Faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor. Os jovens se cansam e se fatigam, e os moços de exaustos caem, mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Aliviando a bagagem - Max Lucado - 12º Capítulo - Do pânico à paz


12 - Do Pânico à Paz

O Fardo do Medo

Não temerei mal algum...
Salmos 23.4
É a expressão de Jesus que nos intriga. Nunca vimos a sua face desse jeito.

Jesus sorrindo, sim.
Jesus chorando, realmente.
Jesus severo, até isto.

Mas Jesus angustiado? Bochechas estriadas de lágrimas?

Faces inundadas de suor? Arroios de sangue escorrendo de seu queixo? Você recorda a noite.

Jesus deixou a cidade e foi para o Monte das Oliveiras, como geralmente fazia, e seus seguidores foram com Ele, "orar para não entrar em tentação".

Então Jesus afastou-se deles cerca de um tiro de pedra.

Ajoelhou-se e orou: "Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua".

Então um anjo do céu lhe apareceu e o confortava. Cheio de dor, Jesus orou ainda mais intensamente. Seu suor era como gotas de sangue caindo ao chão. (Lc 22.39-44).

A Bíblia que eu carregava quando criança continha uma figura de Jesus no jardim do Getsêrnani. Sua face era suave, suas mãos, sossegadamente dobradas, como se Ele estivesse ajoelhado junto à pedra, e orasse. Jesus parecia sereno. Uma leitura dos evangelhos rachou aquela imagem. Marcos diz: “Prostrou-se em terra” (Mc 14.35). Mateus conta que Jesus “começou a entristecer-se e a angustiar-se muito... até a morte” (Mt 26.37,38). De acordo com Lucas, Jesus estava “em agonia”(Lc 22.44).

Equipado com estas passagens, como você pintaria esta cena? Jesus estirado no chão? Rosto no pó? Mãos estendidas, agarrando a grama? Corpo sacudido pelos soluços? Face tão torcida quanto as oliveiras que o cercavam?

O que fazemos com esta imagem de Jesus?

Simples. Voltamo-nos para ela quando enfrentamos o mesmo. Nós a lemos quando experimentamos o mesmo; a lemos quando sentimos medo. Pois não foi o medo uma das emoções que Jesus experimentou? Alguém pode até argumentar que o medo foi uma emoção primária. Ele viu alguma coisa no futuro tão aterradora, tão agourenta, que implorou por uma mudança nos planos. “Pai, se queres, passa de mim este cálice” (Lc 22.42).

O que levaria você a fazer a mesma oração? Embarcar num avião? Enfrentar uma multidão? Falar em público? Assumir um emprego? Casar-se? Dirigir numa auto-estrada? A origem de seu medo pode parecer insignificante para os outros.

Mas para você, ela o faz gelar de medo, faz o seu coração pular, e o sangue subir-lhe às faces. Foi o que aconteceu a Jesus.

Ele estava tão temeroso, que sangrou. Os médicos descrevem esta condição como hematidrose. Uma ansiedade muito forte libera substâncias químicas que rompem os vasos capilares das glândulas sudoríparas. Quando isto ocorre, o suor brota tingido de sangue.

Jesus estava mais que ansioso; estava amedrontado. O medo é o grande irmão da preocupação. Se a preocupação é um saco de aniagem, o medo é um caminhão de concreto. Ele não sairá do lugar.

Quão notável é que Jesus tenha sentido tal medo. Mas que bom que Ele nos contou sobre isto. Tendemos a fazer o contrário. Encobrir nossos medos. Ocultá-los. Mantemos as palmas suadas nos bolsos, e a náusea e a boca seca em segredo. Não assim com Jesus. Não vimos uma máscara de força; ouvimos uma petição por força.

“Pai, se queres, passa de mim este cálice”. O primeiro a ouvir seus temores foi o Pai. Ele poderia ter ido à sua mãe. Poderia ter confiado em seus discípulos. Poderia ter convocado uma reunião de oração. Tudo isto teria sido apropriado, mas nada disso era prioridade sua. Ele foi primeiro ao seu Pai.

Oh, nós, ao contrário, tendemos ir a toda parte!

Primeiro ao bar, ao conselheiro, ao livro de auto-ajuda, ao amigo próximo. Jesus não. O primeiro a ouvir seus temores foi o Pai no céu.

Um milênio antes, Davi estava insistindo para que o amedrontado fizesse o mesmo. “Não temerei mal algum”.

Como pôde Davi fazer tal asserção? Porque ele sabia para onde olhar. “Tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.”

Antes de volver-se para outra ovelha, Davi voltou-se ao Pastor. Em vez de fixar o problema, ficou o cajado e a vara. Porque sabia para onde olhar, Davi foi capaz de dizer, “Não temerei mal algum”.

Conheço um camarada que tinha medo de multidão. Quando cercado de muita gente, o seu fôlego tornava-se curto, o pânico se manifestava, e ele recebeu alguma ajuda de um companheiro de golfe.

Ambos estavam em um cinema, esperando a sua vez de entrar, quando o medo atacou de novo. A multidão os cercava como uma floresta. Ele que sair, e sair rápido.
Seu amigo lhe disse para respirar fundo algumas vezes. Então ajudou-o a lidar com a crise, lembrando-o do curso de golfe.

"Quando você está batendo a bola para fora do rough, e se acha cercado de árvores, o que você faz?"

"Olho para uma clareira".

"Você não olha para as árvores?"

"Claro que não. Encontro uma passagem e me concentro em impelir a bola através dela".

"Faça o mesmo na multidão. Quando sentir o pânico, não se fixe nas pessoas; concentre-se na fresta".

Bom conselho no golfe. Bom conselho na vida. Em vez de fixar-se no medo, focalize a solução.

Foi o que Jesus fez.

E é o que o autor da Carta aos Hebreus nos instiga a fazer.

"...corramos com paciência a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, o autor e consumador da fé" (Hb 12.1,2). O escritor de Hebreus não era um jogador de golfe, mas pode ter sido um corredor, porque fala de um corredor e de um precursor. O precursor é Jesus, o autor e consumador da nossa fé. Ele é o autor - isto é, Ele escreveu o livro da salvação. E Ele é o  consumador - Ele não apenas fez o mapa, mas abriu o caminho. Ele é o precursor, e nós, os corredores. E como corredores, somos instados a manter os olhos em Jesus.

Eu sou um corredor. Na maioria das manhãs, arrasto-me para fora da cama e vou para a rua. Não corro rápido. E, comparado aos maratonistas, não vou longe. Não obstante, eu corro. Corro porque não gosto de cardiologistas. Nada pessoal, entenda. E só porque venho de uma família que os mantém ocupados. Um deles disse ao meu pai que ele precisava aposentar-se. Outro abriu o peito de minha mãe e de meu irmão. Quero ser o membro da família que não manténs o número do cárdio-cirurgião no automático do telefone.

Visto que as doenças cardíacas andam em nossa família, eu corro em nossa vizinhança. Quando o sol está se levantando, eu estou correndo. E enquanto estou correndo, meu corpo está gemendo. Ele não quer cooperar. Meus joelhos doem. Meus quadris enrijecem. Meus calcanhares reclamam. As vezes um transeunte ri de minhas pernas, e meu ego dói.

As coisas doem. E porque as coisas doem, aprendi que tenho três opções. Ir para casa (Denalyn riria de mim).

Meditar em minhas dores até imaginar que estou tendo dores no peito (Pensamento agradável).

Ou posso continuar correndo e ver o sol levantar. Minha trilha dirige-se ao oriente o suficiente para dar-me assento na fileira da frente para o milagre matinal de Deus. Se eu olho o mundo de Deus ir das sombras para o ouro? Adivinhe. O mesmo acontece à minha atitude. A dor passa e as juntas se soltam, e antes que eu perceba, a corrida já passou da metade e a vida não está meio ruim. Tudo melhora quando fito meus olhos no sol.

Não é este o conselho da Epístola aos Hebreus - "olhando para Jesus”? Qual era o foco de Davi? "Tu estás comigo: a tua vara e o teu cajado me consolam".

Como Jesus suportou o terror da crucificação? Ele foi primeiro ao Pai com os seus temores. Ele modelou as palavras do Salmo 56.3: "No dia em que eu temer, hei de confiar em ti".

Faça o mesmo com os seus medos. Não evite os jardins do Getsêmani da vida. Entre neles. Tão-somente não entre sozinho. E uma vez lá, seja honesto. Esmurrar o chão é permitido. Lágrimas são admitidas. E se você suar sangue, não será o primeiro.

Faça o que Jesus fez: abra o seu coração.

E seja específico. Jesus foi. "Toma este cálice", orou Ele. Dê a Deus o número do vôo. Conte-lhe a duração do discurso. Parti-lhe os detalhes da transferência do emprego. Ele tem muito tempo. E também tem muita compaixão.

Ele não acha que os seus temores sejam tolos e simplórios. Ele não lhe dirá, "Anda logo!" ou "Seja duro". Ele esteve onde você está. Ele sabe como você se sente.

E Ele sabe o que você precisa. É por isto que pontuamos nossa oração conto Jesus fez: "Se tu queres...".

Deus quer? Sim e não. Ele não tirou a cruz, mas tirou o medo. Deus não acalmou a tempestade, mas acalmou o marinheiro.

Quem diz que Ele não fará o mesmo por você?

"Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças" (Fp 4.6). Não mensure o tamanho das montanhas; fale com aquEle que pode movê-las. Em vez de carregar o mundo nos ombros, fale com aquEle que sustém o universo sobre os dEle. Esperança é uma olhada adiante.

Agora, para onde você está olhando?

Fonte: Livro "Aliviando a Bagagem" de Max Lucado

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Isaías 44.3

Isaías, 44.3 - Porque derramarei água sobre o sedento, e torrentes sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade, e a minha bênção sobre os teus descendentes.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Aliviando a bagagem - Max Lucado - 11º Capítulo - Quando chega o pranto


11 - Quando Chega o Pranto

O Fardo da Aflição

Ainda que eu acidasse pelo vale da sombra da morte... 
Salmos 23.4
Carlos Andres Baisdon-Nino deitou-se com o seu livro de histórias bíblicas favorito. Começou com o primeiro capítulo e virou cada página até o fim. Quando acabou, assoprou um beijo de boa noite à mamãe e ao papai, às suas três ninas, e então, como sempre, atirou também um beijo ao Papá Dios. Fechou os olhos, deslizou para o sono, e acordou no céu.

Carlos tinha três anos.

Quando Tini e Betsa, seus pais, e eu nos encontramos para planejar o funeral, eles quiseram que eu assistisse a um vídeo de Carlos. Você precisa vê-lo dançando, disse-me Tim. Uma olhada, e eu pude entender por que. O que o Carlinhos fazia ao ritmo da canção latina não pode ser descrito com palavras. Ele se sacudia de cima para baixo. Seus pés se moviam, suas mãos batiam, sua cabeça balançava. Dava a impressão de que o batimento de seu coração mudara para o seu nativo compasso colombiano.

Nós rimos. Nós três rimos. E no riso, por apenas um momento, Carlos estava conosco. Por apenas um momento, não havia leucemia, seringas, cobertores ou quimioterapia. Não havia lápide para gravar ou túmulo para cavar. Havia apenas Carlos. E Carlos estava exatamente dançando.

Mas então o vídeo parou, bem como o riso. E aquela mãe e aquele pai retomaram a sua caminhada através do vale da sombra da morte.

Você está atravessando a mesma sombra? Este livro está sendo segurado pelas mesmas mãos que tocaram a face fria de um amigos? E os olhos que caem sobre estas páginas já caíram também no corpo sem vida de um marido, uma esposa, um filho? Você está atravessando o vale? Se não está, este capítulo pode parecer desnecessário. Sinta-se livre para ir adiante - ele estará quando você precisar dele.

Entretanto, se está, você sabe que o negro saco da tristeza é difícil de sustentar. É difícil carregá-lo porque nem todos entendem a sua aflição. Eles entenderam no começo. Entenderam no funeral.  Ao lado da sepultura.

Mas não agora. Eles não entendem. O luto prolonga-se.

Tão silenciosamente quanto uma nuvem escorrega entre você e o sol da tarde, as lembranças flutuam entre você e a alegria, deixando você numa sombra gelada. Nenhum aviso. Nenhuma notícia. Apenas o cheiro da colônia que ele usava, ou um verso da canção que ela amava, e você está dizendo adeus outra vez.

Por que o pesar não o deixa?

Porque você enterrou mais que uma pessoa. Você enterrou algo mesmo. Não foi John Dorme que disse, "A morte de qualquer homem me diminui"? E como se a raça humana residisse numa imensa cama elástica. Os movimentos de um podem ser sentidos por todos. E quanto mais íntimo o relacionamento, mais intensa a partida. Quando morre alguém que você ama, isto afeta você.

Afeta os seus sonhos.

Alguns anos atrás, minha esposa e eu servimos com outros missionários no Rio de janeiro, Brasil. Nossa equipe era composta de vários casais jovens que, por estarem longe de casa, tornaram-se muito chegados. Regozijamo-nos grandemente quando dois membros de nossa equipe, Marty e Angela, anunciaram que ela estava grávida de seu primeiro filho.

No entanto, a gravidez foi difícil, e a alegria virou inquietação. Foi dito a Angela que ficasse na cama, e a nós, que permanecêssemos em oração. Assim o fizemos. E Deus respondeu nossas orações, embora não como desejávamos. O bebê morreu no útero.

Nunca esqueci o comentário de Marty. "Mais que um bebê morreu, Max. Morreu um sonho".
Por que a dor se prolonga? Porque você está lidando com mais do que lembranças - você está lidando com amanhãs não vividos. Você não está combatendo apenas a tristeza - está combatendo o desapontamento. Está combatendo a raiva.

Ela pode estar na superfície. Pode estar oculta. Pode ser uma chama. Pode ser um maçarico. Mas a raiva mora na casa da tristeza. Raiva de si próprio. Raiva da vida. Raiva do sistema militar, hospitalar, ou rodoviário. Mas acima de tudo, raiva para com Deus. A raiva toma a forma de uma pergunta de seis letras: Por que? Por que ele? Por que ela? Por que agora? Por que nós?

Você e eu sabemos que não podemos responder esta interrogação. Apenas Deus conhece as razões por trás de seus atos. Porém aqui está urna verdade sobre a qual podemos repousar.

Nosso Deus é um Deus bom.

"... por tua bondade, Senhor. Bom e reto é o Senhor" (Sl 25.7,8).

"Provai e vede que o Senhor é bom" (Sl 34.8).

Deus é um Deus bom. Devemos começar aqui. Embora não compreendamos suas ações, podemos confiar em seu coração.

Deus faz apenas o que é bom. Mas como pode a morte ser boa? Alguns enlutados não fazem esta pergunta. Quando a quantidade dos anos ultrapassou a qualidade deles, não indagamos como a morte pode ser boa.

Porém o pai do adolescente morto o faz. A viúva de trinta anos o faz. Os pais de Carlos o fizeram. Meus amigos no Rio de janeiro também. Como pode a morte ser boa?

Parte da resposta pode ser encontrada em Isaías 57.1,2:

"Perece o Justo e não há quem considere isto em seu coração, e os homens compassivos são retirados, sem que alguém considere que o justo é levado antes do mau. Ele entrará em paz; descansarão nas suas camas os que houverem andado na sua retidão".

A morte é o modo de Deus tirar a pessoa do mal. De que espécie de mal? Uma doença prolongada? Um vício? Uma escura fase de rebelião? Não sabemos. Sabemos, contudo, que ninguém vive mais nem menos do que Deus pretende. "No teu livro todas estas coisas foram escritas, as quais iam sendo dia a dia formadas, quando nem ainda uma delas havia" (Sl 139.16).

Mas os dias dela aqui foram tão poucos...

A vida dele foi tão breve...

Para nós parece assim. Falamos de uma vida curta, mas comparada à eternidade, quem tem uma longa? Os dias de uma pessoa na terra podem parecer uma gota no oceano. Os seus e os meus podem parecer o que cabe num dedal. Porém comparado ao Pacífico da eternidade, nem os anos de Matusalém encheriam mais que um copo. Tiago não estava falando apenas aos jovens, quando disse, "Não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque que é a vossa vida?" (Tg 4.14).

No plano de Deus, cada vida é longa o suficiente, e cada morte é oportuna. E embora você e eu desejemos uma vida mais longa, Deus sabe o que é melhor.

E - isto é importante - embora você e eu desejemos uma vida mais longa para nossos entes queridos, eles não querem. Ironicamente, o primeiro a aceitar a decisão de Deus quanto à morte é aquele que morre.

Enquanto estamos sacudindo a cabeça em descrença, eles estão levantando as mãos em adoração. Enquanto estamos pranteando a sepultura, eles estão maravilhando-se no céu. Enquanto estamos questionando Deus, eles o estão louvando.

Mas, Max, e aqueles que morrem sem fé? Meu marido nunca orava. Meu avô nunca adorava. Minha mãe nunca abriu a Bíblia, muito menos o coração. O que será daqueles que nunca creram?

Como sabemos que não creram?

Quem dentre nós está inteirado dos últimos pensamentos de uma pessoa? Quem dentre nós sabe o que acontece naqueles momentos finais? Você está seguro de que nenhuma oração foi oferecida? A eternidade pode dobrar os mais orgulhosos joelhos. Poderia uma pessoa olhar para dentro da escancarada garganta da morte, sem sussurrar um apelo por misericórdia? E poderia o nosso Deus, que é parcial para com o humilde, resisti-lo?

Ele não pôde no Calvário. A confissão do ladrão na cruz foi a primeira e a última. Porém Cristo a ouviu. Cristo a recebeu. Talvez você nunca tenha ouvido o seu ente querido confessar a Cristo, mas quem pode dizer que Cristo não o ouviu?

Não conhecemos os pensamentos derradeiros de uma alma que se vai, mas conhecemos isto: que o nosso Deus é um Deus bom. Ele não quer "que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se" (2 Pe 3.9). Ele quer o seu ente querido no céu mais que você. E Ele geralmente consegue o que quer.

Você sabe o que mais Deus quer? Ele quer que você enfrente tristeza. Negação e recusa não são parte da terapia de Deus para a aflição.

Davi enfrentou a dele. Ao saber da morte de Saul e Jônatas, e todo o exército rasgaram as suas roupas, choraram em voz jejuaram até o pôr-do-sol. Seu lamento foi intenso e público. “Vós, montes de Gilboa", pranteou ele, "nem orvalho nem a caia sobre vós, campos de ofertas alçadas, pois aí desprezivelmente foi arrojado o escudo dos valentes, o escudo de Saul, como se não fora ungido com óleo. Saul e Jônatas, tão amados e queridos na sua vida, também na sua morte não se separaram!

Eram mais ligeiros do que as águias, mais fortes do que os leões" (2 Sm 1.21,23).

Davi não apenas entoou este canto fúnebre, mas também ordenou que fosse ensinado ao povo de Judá (v.18). A morte não foi amenizada ou passada por alto.

Enfrente-a, lute com ela, questione-a, ou condene-a, mas não a negue. Como explanou seu filho Salomão, "Há tempo de chorar” (Ec 3.4). Não atenda, mas perdoe, aqueles que insistem com você para não chorar.

Deus guiará você através, e não em volta, do vale da sombra da morte. E, a propósito, você não está contente por ser ela apenas uma sombra?

O Dr. Donald Grey Barnhouse contou por ocasião da morte de sua primeira esposa: Ele e os filhos estavam voltando no carro para casa, depois do sepultamento, dominados pela aflição. Ele procurou uma palavra de conforto para oferecer, mas não pôde pensar em nada. Exatamente naquele momento, um grande furgão passou por eles. Enquanto passava, a sua sombra derramou-se sobre o carro deles. Uma inspiração veio ao Dr. Barnhouse. Ele virou-se para a família e indagou: "Filhos, vocês preferiam ser atropelados por um caminhão, ou pela sombra dele?”

Os filhos responderam: "É claro, papai, que preferimos ser atropelados pela sombra. De qualquer modo, ela não nos pode ferir".

O Dr. Barnhouse explicou: "Vocês sabiam que dois mil anos atrás o caminhão da morte passou por cima do Senhor Jesus... a fim de que apenas a sua sombra pudesse passar por cima de nós agora?"

Nós enfrentamos a morte, mas graças a Jesus, enfrentamos apenas a sua sombra. E, graças a Jesus, cremos que os nossos amados estão felizes, e os Carlinhos do mundo estão dançando como nunca antes.


Fonte: Livro "Aliviando a Bagagem" de Max Lucado