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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Capítulo Um: No Cenáculo


de Max Lucado

Introdução
É o fim da semana mais significante na história do mundo.
Uma semana de momentos finais. A última ceia entre Jesus e os apóstolos. A última vez que Jesus ora no jardim. O confronto conclusivo com os inimigos. E o encontro final com a dor.
E o evento final … uma demonstração ousada de poder divino. O Salvador enterrado libertado para uma sagrada explosão. O que era um sepulcro agora é um símbolo … marcando a maior vitória na batalha mais crucial.
Uma semana de momentos finais. Uma semana de términos. Ou, será que é do começo…?

Quando eu era um menino eu fiz parte de um grupo de jovens na igreja que levavam a ceia aos enfermos e hospitalizados. Nós visitamos aqueles que não podiam freqüentar o culto, mas ainda desejavam orar e participar da ceia. Eu devia ter uns dez ou onze anos de idade quando fomos para um quarto de hospital onde estava um senhor de idade que era muito fraco. Ele estava dormindo, então nós tentamos despertá-lo. Não conseguimos. Nós sacudimos ele, falamos com ele, batemos no ombro dele, mas nós não conseguimos acordá-lo.
Nós não queríamos partir sem realizar nosso dever, mas não sabíamos o que fazer.
Um dos jovens comigo observou que, embora o homem estivesse dormindo, a boca dele estava aberta. Por que não? Nós dissemos. Assim nós oramos pelo pão e colocamos um pedaço na língua dele. Então nós oramos pelo suco de uva e derramamos na boca dele.
Ele nunca acordou.
Como muitos hoje. Para alguns a ceia é um momento sonolento na qual são comidas bolachas e suco é bebido, mas, a alma nunca se mexe. Não era para ser assim.
Era para ser um convite do tipo Eu-não-tô-acreditando-que-é-verdade-me-dê-um-biliscão para sentar à mesa de Deus e ser servido pelo próprio Rei.
Quando você lê a versão de Mateus da Última Ceia, uma verdade incrível aparece. Jesus é a pessoa por trás de tudo. Foi Jesus que selecionou o lugar, designou o tempo, e determinou a ordem da refeição. “O meu tempo está próximo; em tua casa celebrarei a Páscoa com os meus discípulos.”[1]
E na Ceia, Jesus não é o convidado, mas o anfitrião. “E [Jesus] deu aos discípulos.” O assunto dos verbos é a mensagem do evento: “ele tomou…ele abençoou…ele partiu…ele deu….”
E, na Ceia, Jesus não é o servido, e sim, o servo. Foi Jesus que durante a ceia vestiu o traje de um servo e lavou os pés dos discípulos.[2]
Jesus é o mais ativo à mesa. Jesus não é retratado como o que reclina e recebe, mas como o que está de pé e dá.
Ele ainda faz. A Ceia do Senhor é um presente a você. A Ceia do Senhor é um sacramento,[3] não um sacrifício.[4]
Freqüentemente, nós pensamos na Ceia como uma performance, um momento quando nós estamos no palco e Deus é o público. Uma cerimônia na qual nós fazemos o trabalho e ele fica assistindo. Não era para ser assim. Se fosse, Jesus teria tomado um lugar para sentar e relaxar.[5]
Não é isso o que ele fez. Ao invés disso, Ele cumpriu seu papel como um rabino, guiando seus discípulos na comemoração da Páscoa. Ele cumpriu o papel dele como um servo lavando os pés deles. E ele cumpriu o papel dele como um Salvador lhes concedendo perdão de pecados.
Ele tomou conta. Ele ficou no meio do palco. Ele era a pessoa por trás e por dentro do momento. E ele ainda é.
É à mesa do Senhor que você senta. É a Ceia do Senhor que você toma. Da mesma maneira que Jesus rogou pelos discípulos, Jesus implora a Deus por nós.[6] Quando você é chamado à mesa, pode ser que um emissário dá a carta, mas é Jesus que a escreveu.
É um convite Santo. Um sacramento sagrado lhe implorando a deixar os afazeres da vida e entrar no esplendor dele.
Ele lhe encontra à mesa.
E quando o pão estiver partido, é Cristo que parte. Quando o vinho é vertido, é Cristo que verte. E quando seus fardos são carregados, é porque o Rei no avental chegou próximo.
Pense nisso na próxima vez que você vai para a mesa.
Um último pensamento.
O que acontece na terra há pouco é só um aquecimento para o que acontecerá no céu.[7] Assim da próxima vez que o mensageiro lhe chamar à mesa, deixe o que você estiver fazendo e vá. Seja abençoado e seja alimentado e, o mais importante, tenha certeza de ainda estar comendo à mesa dele quando ele nos chamar para nosso lar.

1 Mateus 26:18
2 João 13:5
3 Um sacramento é um presente do Deus para o povo dele.
4 Um sacrifício é um presente das pessoas para Deus.
5 Há momentos sacrificiais durante a Ceia. Nós oferecemos orações, confissões, e ações de graças como sacrifício. Mas eles são sacrifícios de ação de graças por uma salvação já recebida, não sacrifícios de serviço para uma salvação ainda desejada. Nós não dizemos, “Olha o que eu fiz.” Ao contrário, em temor, nós olhamos para Deus e adoramos o que ele fez.
Tanto Lutero como Calvino tiveram convicções fortes relativas à visão certa da Ceia do Senhor.
“Eles (os líderes religiosos) fizeram do sacramento e testamento de Deus, que deveriam ser recebidos por um bom convidado, parecerem com uma boa ação realizada por eles mesmos.” (Martin Lutero, Obras de Lutero, Edição americana, 36:49)
“Ele (Jesus) chama os discípulos a tomarem: Ele então é o único que oferece. Quando os padres fingem que eles oferecem o Cristo na Ceia, eles partem de uma base totalmente diferente. Que grande exemplo de caso virado de cabeça para baixo, que um homem mortal, para merecer o corpo de Cristo, deva agarrar para si o papel de oferecê-lo.” (João Calvino, Uma Harmonia dos Evangelhos, 1:133.) 6 Romanos 8:34
7 Lucas 12:37

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